PALHAÇO DAS NOZES
(MaRitaP)
Natal e Ano novo banhados a champanhe e nozes. Uma lágrima escorrega, nada novo, tudo cessa. A ignorância e miséria, ainda, alastram-se nestes Brasis sem juiz.
Uma andorinha, acreditou pintar a vida em aquarela mas a poesia foi-se, diante das ceias opulentas que encheram o sangue do poeta de gordura mórbida deixando-o anestesiado diante da dor.
Uma lágrima rolou dos olhos do palhaço que se viu sem ferramentas de fronte ao riso de improviso das milhares de crianças excluídas do espetáculo. Em detrimento disto, uma andorinha buscou fazer verão, mesmo sozinha, e acreditou sorrindo que sementes ficaram aqui ou ali... É a esperança que sobrou na caixa de pandora, esta que salvará a arte...

(...)a resignação passiva, por ensurdecimento progressivo do ser, é o falhar completo e sem remédio. Mas os revoltados (…) aqueles que se cortam no ar e nos seus próprios gestos, são a honra da condição humana. Eles são aqueles que não aceitaram a imperfeição. E por isso a sua alma é como um grande deserto sem sombra e sem frescura onde o fogo arde sem se consumir.(...)»
Sophia de Mello Breyner, Contos Exemplares