Ceifar, reconstruir, amar...


31/01/2008


  

PROCURA

 (MRitaPereira)

 

 

Não estão acostumadas
Querem, buscam
Choram
Amor ignoram
Passam por entre as redes
Tecidas calmamente
Na brisa azulada
Não se agarram a nada
Não se prendem
Temem
A busca continua

A alma é nua
Ignoram novamente
O amor que as
Procura

 

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h10
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28/01/2008


 

 

Entre os passarinhos

 

 

Metrópoles, pura paixão e isolamento
Até encontrar-se entre os passarinhos
Ninguem é sozinho.
Mas, todo mundo sabe de solidão

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 14h08
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10/01/2008


Pintura de Enzo de Bernardini

O Segredo

Maria Rita Pereira

 

Estou no útero, assim boiando. Este eco nos ouvidos é dos meus próprios sons internos. Abraçada ao farfalhar das águas salgadas e mornas, a elas entregue como fazendo parte da matemática mais exata. O todo, ao redor, compactua para este sentir. São momentos de extrema desconcentração onde sou só cabeça que pesa e pensamentos soltos.
 
Assim que estou depois da exaustão que fiquei após o contato com o outro perverso, da desconstrução pela ambição e orgulho que tem causado tanta dor e devastação. Hoje não! Hoje estou de ressaca do mundo social e, muito mais que isto, estou só comigo e aqui há mansidão.

Sendo gestada como sempre estive sinto a pulsação do criador. Ele sou eu, agora somos um. Envolvendo todo meu ser, a densidade da água me sustém e de olhos abertos para o céu do ventre universo, vejo a imensidão azul celeste a me circunscrever e me esqueço como a um ponto. Faço meu próprio verso em mim que irradia do infinito a me alcançar e integro-me ao todo como parte dele. Este é meu segredo de estar feliz neste degredo.
 
Publicado no Recanto das Letras em 10/01/2008
Código do texto: T811335

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Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 23h48
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03/01/2008


PALHAÇO DAS NOZES

 (MaRitaP) 

 

Natal e Ano novo banhados a champanhe e nozes. Uma lágrima escorrega, nada novo, tudo cessa. A  ignorância e miséria, ainda,  alastram-se nestes Brasis sem juiz.

Uma andorinha, acreditou pintar a vida em aquarela mas a poesia foi-se, diante das ceias opulentas que encheram o sangue do poeta de gordura mórbida deixando-o anestesiado diante da dor.

Uma lágrima rolou dos olhos do palhaço que se viu sem ferramentas de fronte ao riso de improviso das milhares de crianças excluídas do espetáculo.  Em detrimento disto, uma andorinha buscou fazer verão, mesmo sozinha, e acreditou sorrindo que sementes ficaram aqui ou ali... É a esperança que sobrou na caixa de pandora, esta que salvará a arte...

 

 

 
(...)a resignação passiva, por ensurdecimento progressivo do ser, é o falhar completo e sem remédio. Mas os revoltados (…) aqueles que se cortam no ar e nos seus próprios gestos, são a honra da condição humana. Eles são aqueles que não aceitaram a imperfeição. E por isso a sua alma é como um grande deserto sem sombra e sem frescura onde o fogo arde sem se consumir.(...)»


Sophia de Mello Breyner, Contos Exemplares
 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 12h16
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02/01/2008


SOBRE A PALAVRA

 

 

TODA PALAVRA


toda palavra
devora entranhas
e alimenta medos

toda palavra
que corta fundo
reparte o sangue
entre a terra
e o corpo

mas toda palavra
que cala,
divide dois mundos
para sempre

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 19h20
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"Os sons da palavra escrita podem ser suaves

 como a poesia e duros como a realidade que nos cerca.

Creio que poesias podem ecoar e transcender,

ao mesmo tempo que podem gritar e promover"

 Sonia Prazeres

http://soniaprazeres.blogspot.com/ 

 

         

 Mel Bochner, Language is not transparent

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h21
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