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Maggie Taylor (Patient Gardener)
Pedaço de Mundo
(Maria Rita P.)
Este pedaço de mundo agora é meu
Este verde, este marrom e os lilases
Deste chão empoeirado,
Destes sons agudos do beija flor.
São dois não um, agora vejo.
O piano, o violino, a composição de alguém.
Preciso respirar tranqüilamente
Pedem por este momento meus pulmões
Sou desejo de um mundo melhor
De homens e mulheres melhores
“Homens embebedam-se, anulam-se
Meninos humilham-se, violentam-se
Mulheres desorientadas carregam ilusões
Muitas são Barbies ou Cindis.
Este mundo me é puro delírio e dor.”
Ao som do violino, choro solo.
As flores amareladas ao chão
O vôo deste beija flor
Esse momento é meu agora
Daqui a pouco sou do mundo
Que se ignora, eu não.
AFASTAMENTO...
Faz-se necessário que me afaste de ti
Em busca de novas luzes e compreenções
Mesmo que meus desejos é estar em ti
Facilitar-te a jornada...
Tua individualidade, tua egocentricidade
Não suportam minhas mãos em tua direção...
Quantas palavras e suores para que pudestes seguir,
ir pelo caminho onde os espinhos já foram retirados.
Entretanto, preferes expor-te, agitar-te conturbado.
Preferes fugas sedativas que não te sustentarão
Não te acasalharão no inverno da experiência...
Com uma lágrima a brotar nas vistas
Por ter pisado em tantas pedras, agudas
Queria, eu, proteger-te. Recusas!
Devo olhar o horizonte, esperar por tua procura
quando sentires que deverias ouvir
Porque enquanto recusas, preparo-me mais e mais...
Consequentemente, a distância psíquica se alonga entre nós
Porém, meu coração será mais e mais amor
Mais compreenção dos fatos, mais paciência no tempo...
Flores de cactos aos sons dos sinos
Férteis e áridas terras na inesxperiência dos destinos.
O Ensinamento do Jardim
Creio que os sonhos sempre foram onde floresce o sol
Maças são sumos-sucos e hortelãs, aromas
Desde que queiramos fechar portas!?
Que queiramos fazer sobreviver ameixas...
Borboletas brincarão e colorirão o entardecer
Independentes de nós, mas por nos perceptíveis.
Quando sensíveis!
Cada flor tem seu momento de espera
Na primavera muitas compartilham cores
Não insistirei ao meu jardim depois de adubá-lo
A dar aquilo que sempre almejei
Sou também primavera
Dias tem horas, horas movimento,
Movimento luminosidade
Todos fazem parte da energia singular,
Quando não materia...
Deixo contigo as flores que sabes semear
As encontrarei entre amigos e sítios
As vezes, gratuitamente, florirás aqui ou acolá
Encontrarás vontades e poderás perecer
Tudo cicla neste universo de palavras e sorrisos
Doces lembranças permanecerão em meu abrigo
Como folhas que caem, serpenteiam em meus pensamentos
Ipês preparam flores para colorir o inverno sombrio
Devamos crer nisto, pois é assim que ele fez-se confiar.
Espelhos quebrados
(Maria Rita P.)
De um excesso a outro partimos!
Mas, será que queríamos tantas verdades escancaradas?
Máscaras caíram!
Mas, não eram elas que, também, nos protegiam?
Da repressão à verdade foi desejo atingido
Hoje, tamanha nudez envergonha, humilha.
Desampara a mocidade
Esta, órfã de sentidos
Cambaleando em mundo frágil e desconhecido.
Adia amadurecer.

Pintura de Cláudia Santos Silva

Amo-te porque és vida, vinho e lilás, és sonho cintilante beija flor és tu adocicado néctar. Amo-te porque sabes milagrar tempestades em sininhos de alerta. Aperta-me ver-te lágrima de cristal. Compreendidas serão tuas letras nestes instantes doravante os visgos que escondem o belo e singelo?
Ninguém confia senão em si tantas foram as hipocrisias, tantas foram as inconveniências. Mas, são de pétalas que amanhecem os dias neste jardim, suave dor, breve alegria. Sabedores do por do sol, tua luz permanece arrebol como a chama destes versos, contra/atuais.
Hoje sobra-nos a consciência de que somos poucos os sensíveis a pressentir a queda, o esmagar de tudo aquilo que mais amamos ou odiamos.Tornar-se-ão húmus de nossas imperfeições. Poderão vir a ser recomeço às novas flores, se a água e sol, no dia seguinte, forem.
"Tão conhecida, inesquecível, insuperável..."

tico - tico
Gerânios
Até quando a vida correrá solta? Saciados.
Não há permuta, tão pouco pergunta,
são os recursos consumidos até a exaustão.
Posso dizer com certeza: Não acreditem em sorte!
Vida é vida! Morte é morte!
Continuará assim restringida, nave serva, água pão?
Sim, é na inocência de uma estabelecida viciação.
Catam ventos coloridos, pirulitos, monólitos
É que estamos fadados ao fim deste ciclo
Lágrimas quentes escorrem pela cambacica
Pelo sabiá, sanhaço, alma de gato, azulão.
É que estou a pressentir a despedida
Daqueles, aos quais, quis estender mãos e vida.
......
Gerânios! Tragam-me, por instantes, sua imensidão!
Neste jardim que almeja perpetuar-se
11 toneladas de peixes foram mortos no rio Madeira (RO) devido a primeira fase da construçaõ da Usina hidrelétrica (Jirau e Santo Antônio) duas das mais importantes obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ... Devido a crise econômica os Bancos Santander e Banif desejam sair do consórcio e vários outros bancos adiam a entrada no projeto. Sem recursos para as obras milhares de peixes e florestas serão momentaneamente salvos ... A microfauna, a biomassa, os passarinhos... agradecem.
Abençoada Crise >>> Salvem-nos !
Verbo Brasileiro
(Maria Rita Pereira)
Anhangá
Vespas e beijas flores
O grito dos ancestrais ecoa
No caracol acústico soa.
Estes versos translúcidos
Cochicham em minha concha e arrepiam
Como sons dos guatambus
Corajoso canto do anú
Movimentam o fundo bentônico
Fertilizam!
Revelam!
Dante conhece a fera que dormita aí
Soltando as travas da língua
Imita o bem te vi, desorientado ao fogo.
Após a guerra que travas dentro de si
Ante a derrocada deste país
Cujos que amam não mandam
Levantam o vôo da perdiz.
Enquanto a roda teima em arrastar
Todo levante que há por aí.
Oh! meu Tupã
Olodumaré
Este grito há de se fazer ouvir.
Negro, índio, branco, pobre, miscigenado
O grito dos ancestrais
Borbulha dentro dos ais
Deste corpo em betume, santificado.
Quero estar contigo
Mover estas montanhas
Transmutar a fera
Liberdade aos que morrem de ausência
da fartura desta terra
Arrastam os pés descalços no chão
Zumbis, tapajós, pankararus, tinguis...
Continua a matar a nascente alma brasileira
A gordura mórbida de homens chupins
Oh! meu Tupã
Olodum
Este grito há de se fazer ouvir
Amanayé
Ventos verdadeiros
LIBÉLULAS
Que milagrem as violetas
Adubo torne o chorume
Plásticos voem longe,
muito longe, agrupando-se.
Em direção à fornalha
Bolas incandescentes.
Os grilos acomodem a noite
Descanso sereno e úmido.
Possamos acreditar todos nós,
cada um de nós, agrupando-se
(apesar das tantas falhas)
Libertar-se em libélulas, no nascente.
Maria Rita Pereira

TEMPO DE DESPERTAR
(Maria Rita Pereira)
Agora, deixe-a aí, amadurecendo...
Como fruto colhido antes da hora
Esqueça-a por um momento.
A criação precisa do seu próprio devir,
não nasce acabada
Precisa, antes de mais nada, do tempo.
Ele que faz decantar a poeira levantada
Não adianta teimosia!
Senão a tornará, por dentro, desvanecida.
Quando tudo desanuviar e a luz revelar
Ai sim, estará na hora de retocar
Poderá, então, um libertário fim... Dar.
SAIAS DE RODAR
Como forçar palavras em versos?
Não é assim que poesia se faz!
Poesia nasce naturalmente
Como saias de rodar.
Como guarda chuva de Carlitos
Poesia não se dobra aos ventos
Permanece pura, integra
Sincera aos devaneios.
Poesia é vertente!
Nega-se ao raciocínio.
É tudo que sem rascunho
Passa no funil sem se deixar filtrar.
Por isso é inédita, única, verdadeira.
Por isso representa o novo
O despertar do louco
A liberdade.
Despedidas

Sobre o projeto a ser aprovado no Congresso Nacional da proibição de propagandas
dirigidas ao público infantil.
- Você tem opinião formada a este respeito ???
Minha opinião:
"A infância deve perdurar, precisamos protegê-la das grandes difuculdades do mundo adulto. Prepará-las, sim, e não expô-las em demasia. Isto é crime. Aos adultos cabem viver seu tempo com dignidade e assumir sua maturidade para garantir às futuras gerações um mundo mais justo e melhor de se viver. Por isso é importante cuidar da educação de cada uma das crianças com zêlo e amor.
A mídia têm influenciado bastante na atitude das crianças e adolescente tornando-as ansiosas e exigentes, dificultando o trabalho das famílias e até estimulando os pais, ainda imaturos, a servirem aos desejos consumistas dos filhos na disputa pelo ter entre os amigos enquanto tem havido o descuido com a humildade, a simplicidade e a disciplina das necessidades e gozos. Num contexto onde o hedonismo é comportamento aceitável e aplaudido, enquanto a renúncia de algumas necessidades para auxilio mútuos parece um fantasma a se fugir… Precisamos rever os valores deste momento histórico onde o capitalismo tem imperado indiscriminadamente, pertubando os lares incutindo o vício do consumo. Há pais que fazem crediários para dar o tênis de aos filhos, ou celular enquanto deixam de planejar o custeio dos estudos ou a compra de uma casa e a segurança na velhice… Jovens que gastam todo seus salários consumindo desenfreadamente tudo o que não puderam ter, na infância, deixando de organizar seus orçamentos para o planejamento do futuro… Vão se frustando, já que estas satisfações mudam de cara, dia após dia, nas propagandas de bens não duráveis, que não satisfazem a carência de afeto e respeito.
É necessário limpar o terreno, auxiliando as famílias a repensarem os valores, cuidando de incentivar a ética > independente das religiões < mas linkadas às leis do amor universal. Por isso que hoje sofremos as consequências do desmatamento desenfreados, da poluição pelo descartável, e da criminalidade juvenil. Esta última gerada pela despreocupação em desenvolver nos jovens a auteridade. Têm-se desmantelado o mundo e esperamos que haja tempo, ainda, para reconstruir ..."
leiam: http://mercadoetico.terra.com.br/noticias.view.php?id=3240
ANELOS
(Maria Rita P.)
Da árvore envelhecida
Seu último fruto desprendeu-se
Lançado longe, rolou
Fixou raízes.
Para alimentar sonhos de prosperidade
Verdes brotos de saudade
Fez-se presente.
A árvore velha ainda buscou da fonte
Lá onde a seiva refrescante
Toda sua copa pontos verdes, ressurgiram.
Mas, não semeou como antes.
Na terra profunda buscou histórias
Para nos alegrar e acalantar.
Aprendemos quais caminhos
Indubitavelmente será nosso fim
Quando árvores antigas
O passado não mais revelar.
ALUNOS
Silas Correa Leite
Chamo todos os meus alunos de filhos
E eles são tantos
Alguns são mais que isso
Outros só pretos e bantos
Alguns eu amo porque precisam
Outros porque são santos
E com eles todos aprendo cada vez
mais ser eu mesmo
E a adquirir encantos
(Chamo meus alunos de filhos
E eles são meus Pais.)
http://campodetrigocomcorvos.zip.net/
De um amigo poeta/professor. Professor de sonhos e esperanças,
assim como muitos que tenho o prazer de conhecer ...
É a maioria, apesar da maldade que denigre a imagem destes
heróis anônimos e empoeirados de giz ...
Os motivos do não aprendizado dos jovens são tão complexos...
É preciso conhecer de perto a realidade para perceber que os
verdadeiros culpados são sempre os mesmos engravatados de
barrigas cheias que governam por decretos e/ou portarias e, ainda
manipulam a opinião pública a seu favor ...

Campos livres para as margaridas...
...
O dourado traga mais calor
Sobreponha ao frio das almas egocêntricas.
Estas não mais solidifiquem as forças do amor...
...
Que a vaidade de mãos gélidas
e unhas coloridas encontre saída,
deixe os campos livres para as margaridas.
Porque não queremos mais hipocrisia
queremos a melodia das cachoeiras transparentes
Aquelas que nos convidam ao refazimento
...
A hora é chegada, o ciclo fecha-se
Precisamos ajuntar os sonhos
Encantar o mundo com as almas de luzes cintilantes
Sim, aquelas onde a pureza das intenções revigoram
Revigorarão a aurora do dia seguinte...
...
(Maria Rita Pereira)
RETALHOS
Rasga o tempo que se refaz, tardiamente
Entre a noite e o dia, preso a ciclicidade
Traz a paixão diante do ato reprimido
Assim como o coração que tarde, arde
Lentamente neste vendaval servindo Marte
Hoje sem ontem, sem amanhã, esprimido
Olvidando a tradição e toda a magia
São os avessos, são retalhos de almas sem guias.
Onde estão os demônios e os santos de outrora?
Quem ensinará o canto que acalma a impaciência
Abraçará a causa da nossa ausência de disciplina?
Protegerá contra a ira que autodestroi a essência
Cavará revelando o âmago de nossas fraquezas
Diminuindo nossa ânsia diante de tantas incertezas
Ensinará à semente, germinando, a esperar o fruto
Antes que os vermes antecipem seu proprio luto.
- Maria Rita -



LOS RETRATOS DE LOS NIÑOS DEL EXODO
de Sebastião Salgado Êxodos e Crianças


...Penso nas crianças que rejeitadas desde o principio, pela inadaptabilidade aos padrões estéticos burgueses ou pela falta de recursos em se poder fazer parte daquilo que a mídia propõe a vender como necessidades para que o indivíduo sinta-se inserido. Estes jovens e crianças cuja psique ainda frágil, pelo fato mesmo de sua imaturidade, por não terem recebido uma orientação ética, quanto aos verdadeiros valores a serem cultivados e respeitados, ficam submersos a um sentimento de menos valia que deteriora a percepção de si e aceitação das suas possibilidades em inserir-se corajosamente e heroicamente ao universo que também lhes pertencem.
Maria Rita Pereira
...

PATINHO FEIO
- ao excluído -
Produto inacabado
Interlúdio de algo
Possibilidade do melhor
Desde o início do existir
A coisa certa, uma busca
O desejo de transcender
Foi esta a força motriz
Desde a ventania - o nascer
Admitir o pertencimento
Assumir-se excluído, povo, massa
Libertar-se do julgamento
Ser feliz
Não permitiram que adentrasse por completo
Do pouco que ofertaram, eximiram-se da culpa
Pelo fato de ter lhe dado possibilidades,
sobrevive como ego.
Produto inacabado da idealização do outro
O patinho feio
Até encontrar a própria identidade,
Aceitar a grandeza,
- doa a quem doer -
Ser cisne.
Maria Rita Pereira

Camafeus
(MRitaPereira)
O vento retorna
Suave aroma de flores
Boa noite!
Floresta escurece
Anoitece
Os vagalumes iniciam uma festa
A lua torna-se real
Redondamente gorda
Amarelamente encantada
Impermanente...
A lua inicia seu momento solitária
Surge um presentimento, desilusão
A escuridão revela seus segredos
Medos! medos!
Impermanente como a serpentear incoerente
Por traz dos véus, cristalizam-se os vagalumes
Caem sobre a terra, sonhos
Tela sobre tela, tintas perdem o tom
Noite dos pensamentos flutuantes
Confusos no espaço vazio
Qual mar, pesam em salgar
Pensamentos escurecem sob a escuridão.
Versos são lidos,
Por vezes, combatidos.
- O que são versos senão ventos?
O vento retorna
Suave aroma de flores
Versos foram jogados ao léu
A lua começa seu momento solitária
Poemas perdidos
Troféus desperdiçados
Desfazem-se.
O mundo mágico finda-se
Aos pés de narcísos
Que dançam sozinhos a sinfonia do eu
Cristalizados camafeus
A revolução conquistará para todos o direito não somente ao pão, mas à poesia."
Leon Trotsky
Para lançar julgamentos, receitas e/ou protocolos às escolas de hoje e aos seus partícipes é necessário inserir-se ao processo e vivenciar o dia-dia desta instituição. Nunca compare a escola atual com a de 15-20 anos atrás, os jovens não são os mesmos, a escola vive uma crise de adaptabilidade e os educadores possuem boa formação (formados na década de 70-90, ainda não havia a proliferação de faculdades/empresas lucrativas). Entretanto, ocorreram muitas mudanças na estrutura da sociedade com o neoliberalismo, a aprovação continuada e as políticas assistencialistas. Somadas ao empobrecimento das famílias, ao aumeto do desemprego, ao comportamento hipermoderno das populações como um todo (consumismo-imediatismo-fluidez-hedonismo) têm-se instalado um cáos sócio-familiar-cultural muito complexo para se traçar comentários rápidos e maldosos à complexidade das subjetividades que contracenam hoje no cenário da escola pública.
Tenha cuidado para não estar reproduzindo uma fala da elite. Seja prudente!

SOBREVIVA
(Maria Rita Pereira)
Por que ajuntastes tanta matéria agregada
ao pó da desintegração?
Sobrevivas no coração em pulsar e sentir
dos homens e mulheres do caminho.
É o que fica deste universo/moinho.

Tênue lucidez
(Maria Rita Pereira)
Linha d'água tênue leve curvatura
Pele negra trafegas, ainda, insegura
Olhos no presente, liberdade só com amor
Perdoa nossos desacertos ao nos decompor

Imagem: http://www.wayneforte.com/index.htm
Quase só
(MRitaP)
Somos tantos
Massificação - Desorientação.
Crise de valores
Entre os passarinhos, sós.
Sós diante do ato de subversão
Por quê escolhemos entender?
Por escolher o caminho mais difícil
Fiquei com a lágrima do dia.
Com o canto da andorinha
Quase só.
Cesário, Diógens e Gabriel
As vezes pra vencer na vida é preciso ser agressivoSomos grupo Elementos pensamentos positivo
Nosso governo é sinistro e só que ganhar dinheiro
Aqui os mano não se ilude que os mano é brasileiro
Por isso eu te falo com muita convicção
REFRÃO
“A falta de emprego e compreensão
Transporta o pivete pra uma vida de ladrão
A falta de emprego e compreensão
Mata os sonhos da pessoa e joga dentro do caixão”
Muito Zé Povinho errado e cheio de ganância
Somos manos de direito e ainda temos esperança
Fizemos essa letra com força de vontade
Só queremos expressar um pouco da realidade
Hoje em dia quem é quem, isso é o que importa
A lei do mata-mata é o poder que abre as portas
Essa é a lei de satanás quem não têm respeito faz
Com uma arma na cintura você vê quem pode mais
Não quero ser mais um moleque, irmão da vida do crime
Levantei minha cabeça e agora sigo firme
Muitos jovens hoje em dia nessa pura fantasia
Se envolvendo com o crime pra vencer seu dia-a-dia
A vida é tipo assim feito uma selva de bicho
Por isso tudo o que for fazer de bom faça com capricho
A 1000 por hora vejo bater meu coração
Vi muita gente ruim gente que mata sem perdão
Um “salve” eu vou deixar pros mano da quebrada
Real Parque Panorama é ZONA SUL que se enquadra
Mano eu falo pra você então, sem tumultuar
Aqui é ZONA SUL maluco chega devagar...
" A questão da exclusão – embora não seja específica ao mundo do trabalho aí tem sua maior afirmação – aparece não apenas tendo como resultado um imaginário de inferioridade, mas concretamente discrimina, despreza, fixa o outro em áreas específicas produzindo guetos. E o que é pior, exacerba-se na violência. Os outros passam a ser não apenas excluídos e inferiorizados, mas portadores de uma essência desordenadora e perversa."
Trecho colhido do site
http://www.dhnet.org.br/dados/livros/edh/estaduais/rs/adunisinos/cecillia.htm

PROCURA
(MRitaPereira)
Não estão acostumadas
Querem, buscam
Choram
Amor ignoram
Passam por entre as redes
Tecidas calmamente
Na brisa azulada
Não se agarram a nada
Não se prendem
Temem
A busca continua
A alma é nua
Ignoram novamente
O amor que as
Procura

Entre os passarinhos
Metrópoles, pura paixão e isolamento
Até encontrar-se entre os passarinhos
Ninguem é sozinho.
Mas, todo mundo sabe de solidão
Maria Rita Pereira
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PALHAÇO DAS NOZES
(MaRitaP)
Natal e Ano novo banhados a champanhe e nozes. Uma lágrima escorrega, nada novo, tudo cessa. A ignorância e miséria, ainda, alastram-se nestes Brasis sem juiz.
Uma andorinha, acreditou pintar a vida em aquarela mas a poesia foi-se, diante das ceias opulentas que encheram o sangue do poeta de gordura mórbida deixando-o anestesiado diante da dor.
Uma lágrima rolou dos olhos do palhaço que se viu sem ferramentas de fronte ao riso de improviso das milhares de crianças excluídas do espetáculo. Em detrimento disto, uma andorinha buscou fazer verão, mesmo sozinha, e acreditou sorrindo que sementes ficaram aqui ou ali... É a esperança que sobrou na caixa de pandora, esta que salvará a arte...
Sophia de Mello Breyner, Contos Exemplares
TODA PALAVRA
toda palavra
devora entranhas
e alimenta medos
toda palavra
que corta fundo
reparte o sangue
entre a terra
e o corpo
mas toda palavra
que cala,
divide dois mundos
para sempre
© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice”
"Os sons da palavra escrita podem ser suaves
como a poesia e duros como a realidade que nos cerca.
Creio que poesias podem ecoar e transcender,
ao mesmo tempo que podem gritar e promover"
Sonia Prazeres

Mel Bochner, Language is not transparent
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