Espaço de Poesia Social (Surrealista e-ou de Contestação)


17/08/2008


ANELOS


(Maria Rita P.)



Da árvore envelhecida
Seu último fruto desprendeu-se
Lançado longe, rolou
Fixou raízes.
Para alimentar sonhos de prosperidade
Verdes brotos de saudade
Fez-se presente.
A árvore velha ainda quis buscar da fonte
Lá onde a seiva refrescante
Toda sua copa pontos verdes, ressurgiram.
Mas... Não semeou como antes.

Na terra profunda buscou histórias
Para nos alegrar e acalantar.
Aprendemos quais caminhos
Indubitavelmente será nosso fim
Quando árvores antigas
O passado não mais revelar.

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 19h54
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15/08/2008


...

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h20
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08/07/2008


Ser ou não ser?

 

Somos todos terráqueos

Estamos todos pintados

para o céu, para a morte, para o fim.

Cores, tons, alecrins...

Desnaturalizar-se, aprender

Extinguir-se no todo.

Vir a ser. 

 

 > x < 

 

Ao poeta amigo - Silas Corrêa Leite

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 14h08
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24/05/2008


ALUNOS
Silas Correa Leite


Chamo todos os meus alunos de filhos
E eles são tantos
Alguns são mais que isso
Outros só pretos e bantos
Alguns eu amo porque precisam
Outros porque são santos
E com eles todos aprendo cada vez
mais ser eu mesmo
E a adquirir encantos

(Chamo meus alunos de filhos
E eles são meus Pais.)

http://campodetrigocomcorvos.zip.net/

 

De um amigo poeta/professor. Professor de sonhos e esperanças,

assim como muitos que tenho o prazer de conhecer  ...

É a maioria, apesar da maldade que denigre a imagem destes

heróis anônimos e empoeirados de giz ...

Os motivos do não aprendizado dos jovens são tão complexos...

É preciso conhecer de perto a realidade para perceber que os

verdadeiros culpados são sempre os mesmos engravatados de

barrigas cheias que governam por decretos  e/ou  portarias e, ainda

manipulam a opinião pública a seu favor ...

 

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 22h13
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20/05/2008




Campos livres para as margaridas...





...



Que o verde sobressaia no azul

O dourado traga mais calor
Sobreponha ao frio das almas egocêntricas.
Estas não mais solidifiquem as forças do amor...



...



Que a vaidade de mãos gélidas

e unhas coloridas encontre saída,

deixe os campos livres para as margaridas.
Porque não queremos mais hipocrisia
queremos a melodia das cachoeiras transparentes
Aquelas que nos convidam ao refazimento



...



A hora é chegada, o ciclo fecha-se
Precisamos ajuntar os sonhos

Encantar o mundo com as almas de luzes cintilantes
Sim, aquelas onde a pureza das intenções revigoram
Revigorarão a aurora do dia seguinte...



...



(Maria Rita Pereira)

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 23h24
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29/04/2008


RETALHOS

 

 

Rasga o tempo que se refaz, tardiamente
Entre a noite e o dia, preso a ciclicidade
Traz a paixão diante do ato reprimido 

Assim como o coração que tarde, arde
Lentamente neste vendaval servindo Marte
Hoje sem ontem, sem amanhã, esprimido
Olvidando a tradição e toda a magia
São os avessos, são retalhos de almas sem guias.

 

Onde estão os demônios e os santos de outrora?

Quem ensinará o canto que acalma a impaciência 

Abraçará a causa da nossa ausência de disciplina?

Protegerá contra a ira que autodestroi a essência  

Cavará revelando o âmago de nossas fraquezas

Diminuindo nossa ânsia diante de tantas incertezas

Ensinará à semente, germinando, a esperar o fruto 

Antes que os vermes antecipem seu proprio luto.

 

 

- Maria Rita -

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 10h16
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26/04/2008


 

LOS RETRATOS DE LOS NIÑOS DEL EXODO
de Sebastião Salgado Êxodos e Crianças

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h08
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Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h06
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18/04/2008


...

 

Algo que  me deixa confusa e por vezes me perturba é ver o descaso com o ser humano refletidos na miséria de alguns >>> O egoísmo que cega e deforma a alma humana como chama de uma vaidade estúpida exagerada vai queimando tudo ao redor com a aparência inocente de estar cuidando de sí >>> nos salões de cabelereiros, nas clinicas de estética, no repasto opulento, no consumo desenfreado do novo, da moda >>> Tudo poderia virar arte ... mas não quando ainda se morre de fome, ou quando se vêem sonhos mortos nas periferias das metrópoles do mundo inteiro >>> Porque quando se mata sonhos se produz miséria como consequência. 

 

E penso naquelas crianças que rejeitadas desde o principio, pela inadaptabilidade aos padrões estéticos burgueses ou pela falta de recursos em se poder fazer parte daquilo que a mídia propõe a vender como necessidades para que o indivíduo sinta-se inserido. Estes jovens e crianças cuja psique ainda frágil, pelo fato mesmo de sua imaturidade, por não terem recebido uma orientação ética, quanto aos verdadeiros valores a serem cultivados e respeitados, ficam submersos a um sentimento de menos valia que deteriora a percepção de si e aceitação das suas possibilidades em inserir-se corajosamente e heroicamente ao universo que também lhes pertencem.

 

Maria Rita Pereira


 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 12h04
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10/04/2008


...     

 

PATINHO FEIO

- ao excluído -

 

 

Produto inacabado

Interlúdio de algo
Possibilidade do melhor
Desde o início do existir
A coisa certa, uma busca
O desejo de transcender
Foi esta a força motriz

Desde a ventania - o nascer

Admitir o pertencimento
Assumir-se excluído, povo, massa
Libertar-se do julgamento
Ser feliz

 

Não permitiram que adentrasse por completo
Do pouco que ofertaram,
eximiram-se da culpa
Pelo fato de ter lhe dado possibilidades,
sobrevive como ego.
Produto inacabado da idealização do outro
O patinho feio
Até encontrar a própria identidade,
Aceitar a grandeza,

- doa a quem doer - 

Ser cisne.

 

Maria Rita Pereira

 

 

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 10h23
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28/03/2008


Camafeus

(MRitaPereira)

 

 

 

O vento retorna
Suave aroma de flores
Boa noite!
Floresta escurece
Anoitece
Os vagalumes iniciam uma festa
A lua torna-se real
Redondamente gorda
Amarelamente encantada
Impermanente...

 

A lua inicia seu momento solitária
Surge um presentimento, desilusão
A escuridão revela seus segredos
Medos! medos!
Impermanente como a serpentear incoerente
Por traz dos véus,
cristalizam-se os vagalumes
Caem sobre a terra, sonhos
Tela sobre tela, tintas perdem o tom
Noite dos pensamentos flutuantes
Confusos no espaço vazio
Qual mar, pesam em salgar

Pensamentos escurecem sob a escuridão.
Versos são lidos,
Por vezes, combatidos.
- O que são versos senão ventos?

 

O vento retorna

Suave aroma de flores
Versos foram jogados ao léu
A lua começa seu momento solitária
Poemas perdidos
Troféus desperdiçados
Desfazem-se.

O mundo mágico finda-se

Aos pés de narcísos

Que dançam sozinhos a sinfonia do eu

Cristalizados camafeus

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 23h18
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23/03/2008


A revolução conquistará para todos o direito não somente ao pão, mas à poesia."


Leon Trotsky

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 01h32
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20/03/2008


Pensando a educação

Para lançar julgamentos, receitas e/ou protocolos às escolas de hoje e aos seus partícipes é necessário inserir-se ao processo e vivenciar o dia-dia desta instituição. Nunca compare a escola atual com a de 15-20 anos atrás, os jovens não são os mesmos, a escola vive uma crise de adaptabilidade e os educadores possuem boa formação (formados na década de 70-90, ainda não havia a proliferação de faculdades/empresas lucrativas). Entretanto, ocorreram muitas mudanças na estrutura da sociedade com o neoliberalismo, a aprovação continuada e as políticas assistencialistas.  Somadas ao empobrecimento das famílias, ao aumeto do desemprego, ao comportamento hipermoderno das populações como um todo (consumismo-imediatismo-fluidez-hedonismo) têm-se instalado um cáos sócio-familiar-cultural muito complexo para se traçar comentários rápidos e maldosos à complexidade das subjetividades que contracenam hoje no cenário da escola pública.

 

Tenham cuidado para não estarem repetindo a fala das elites. Sejam prudentes! 

 

 

 

A VOZ DO EDUCADOR

 

(MRitaP)

 

 

 

Observadores astutos,

desconhecedores da lousa

Confundem-na com outrora?

Ou apenas ignoram ?

(A desconstrução do agora).

O desrespeito à tradição

O imediatismo da posse

Os significados desvinculados

Lançam dúvidas à voz que ensina

Favorecem a indisciplina

Somam-se ao processo

que ao caos culmina.

 

 

Órgãos instrutores

derramam teorias

Importadas ideologias

(Desconhecem a realidade

ou é pura hipocrisia?)

Cheios de intenções,

instalam depressões

Antecipam quedas

À voz do educador,

força motriz,

desestabilizam

 

Objetivos dos governantes?

Contenção dos desnutridos?

Emburrecer dos desvalidos?

Alienação?

Utilizam-se da mídia,

com psicologia as avessas

Culpabilizam vítimas

Aumentado conflitos

Matam o espírito,

o agente transformador.

Rosário de demagogia incolor

Templos demolidos no apagador.

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 22h30
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16/03/2008


SOBREVIVA

(Maria Rita Pereira)

 

Por que ajuntates tanta matéria agregada
ao pó da desintegração? 

O que aprecias guardes no coração

onde não há traças, aí, sobreviverá e enriquecerá.
Mas, o que guardas dentro de ti?
A inveja do outro, ou o sorriso de reconhecimento?

São os tesouros da consciência
que te alimentará quando tiverdes fome de espírito.
Não entregues toda tua força em função de caprichos
Sê um cidadão do futuro.
Protejas os fracos. Lutes pela justiça

Tudo que enchergas com os olhos, decomporá
Sobrevivas no coração em pulsar e sentir

dos homens e mulheres do caminho.
É o que fica deste universo/moinho.
O sumo de tudo que parece existir,

- O que dá de ti pelo amor

ao que é antes e depois de ti.

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 23h19
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29/02/2008



 


Tênue lucidez


(Maria Rita Pereira) 


 

Linha d'água tênue leve curvatura

Pele negra trafegas, ainda, insegura

Olhos no presente, liberdade só é com amor

Perdoa nossos desacertos ao nos decompor

 

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 23h18
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10/02/2008


Imagem: http://www.wayneforte.com/index.htm

Quase só

(MRitaP)

 

 

 

Somos tantos
Massificação - Desorientação.
Crise de valores
Entre os passarinhos, sós. 
Sós diante do ato de subversão
Por quê escolhemos entender?
Por escolher o caminho mais difícil
Fiquei com a lágrima do dia.
Com o canto da andorinha
Quase só.

 

Entretanto...

sinto-me feliz pelo amor.
Aos perdedores, minha poesia.
Os olhos juvenis gritam-me fortes
Ingênuos introjetam o desejo e o poder
Daqueles que os dominam.
Desconfias da linguagem do amor?
Dificultarás assim tua libertação.
Desorientação ética.
Do âmago me vêm a questâo:
Como pensar a felicidade e a paz
Antes do entardecer da civilização?

Unidos todos somos no gozo
Na alegria.
Mas quando no trabalho de libertação
(Quase) sem companhia.

 

-0-

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 10h58
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06/02/2008


SINTAM A NECESSIDADE DE AMAREM MAIS DO QUE SÃO CAPAZES PARA PRODUZIREM AÇÕES COLETIVAS OU CONTINUAREMOS REPRESENTANTES DA ÉTICA INDOLOR, NOS BASTIDORES DAS MANIFESTAÇÕES ESTÉTICAS DA ARTE ... (MRitaP)

Você sabe como se vive nas periferias e/ou favelas deste país ?
 Recicla o lixo como faz a maioria deles ?
 Já viu um morto a balas ?
 Já pensou em precisar pedir dinheiro nos faróis para sustentar sua família ?
 
A Realidade pintada em versos por 3 adolescentes de 14 - 15 anos (Cesário, Diógenes e Gabriel)
moradores das periferias do Real Parque na região do Morumbi. 
 
 
 
 
Realidade não Fantasia

 

Cesário, Diógens e Gabriel 

 


As vezes pra vencer na vida é preciso ser agressivo

Somos grupo Elementos pensamentos positivo

Nosso governo é sinistro e só que ganhar dinheiro

Aqui os mano não se ilude que os mano é brasileiro

Por isso eu te falo com muita convicção

 

REFRÃO

“A falta de emprego e compreensão

Transporta o pivete pra uma vida de ladrão

A falta de emprego e compreensão

Mata os sonhos da pessoa e joga dentro do caixão”

 

Muito Zé Povinho errado e cheio de ganância

Somos manos de direito e ainda temos esperança

Fizemos essa letra com força de vontade

Só queremos expressar um pouco da realidade

Hoje em dia quem é quem, isso é o que importa

A lei do mata-mata é o poder que abre as portas

Essa é a lei de satanás quem não têm respeito faz

Com uma arma na cintura você vê quem pode mais

 

Não quero ser mais um moleque, irmão da vida do crime

Levantei minha cabeça e agora sigo firme

Muitos jovens hoje em dia nessa pura fantasia

Se envolvendo com o crime pra vencer seu dia-a-dia

A vida é tipo assim feito uma selva de bicho

Por isso tudo o que for fazer de bom faça com capricho

A 1000 por hora vejo bater meu coração

Vi muita gente ruim gente que mata sem perdão

Um “salve” eu vou deixar pros mano da quebrada

Real Parque Panorama é ZONA SUL que se enquadra

Mano eu falo pra você então, sem tumultuar

Aqui é ZONA SUL maluco chega devagar...

 

 

" A questão da exclusão – embora não seja específica ao mundo do trabalho aí tem sua maior afirmação – aparece não apenas tendo como resultado um imaginário de inferioridade, mas concretamente discrimina, despreza, fixa o outro em áreas específicas produzindo guetos. E o que é pior, exacerba-se na violência. Os outros passam a ser não apenas excluídos e inferiorizados, mas portadores de uma essência desordenadora e perversa." 

Trecho colhido do site 

 http://www.dhnet.org.br/dados/livros/edh/estaduais/rs/adunisinos/cecillia.htm

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 14h11
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30/01/2008


Para aqueles que desconfiam das manifestações afetivas

  

PROCURA

 (MRitaPereira)

 

 

Não estão acostumadas
Querem, buscam
Choram
Amor ignoram
Passam por entre as redes
Tecidas calmamente
Na brisa azulada
Não se agarram a nada
Não se prendem
Temem
A busca continua

A alma é nua
Ignoram novamente
O amor que as
Procura

 

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h10
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28/01/2008


Entre os passarinhos.

 

 

Entre os passarinhos

(MRitaP)

 

 

Para os poetas momentos de ser,
só alegria ou duras tristezas em poesia,
Despedidas amargas e o recomeçar
Independente de nós, o mar abre-se frutificando
Águas salgadas trazem seus peixes
Alimenta toda a família
As crianças correm felizes em volta dos pais
Costas ardentes como seus sonhos
Cheiro de mar envolto a simplicidade no olhar
De repente, a cidade faz-se presente,

fumaças no ar
Muita gente, gente, gente e mais gente
Acostumar-se a andar sem ver o outro passar
Metrópoles, amor veneno, pura paixão e isolamento
Até encontrar-se entre os passarinhos
Ninguem é sozinho.
Mas, todo mundo sabe sobre solidão

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 14h08
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10/01/2008


O Segredo de estar feliz neste degredo.

Pintura de Enzo de Bernardini

O Segredo

Maria Rita Pereira

 

Estou no útero, assim boiando. Este eco nos ouvidos é dos meus próprios sons internos. Abraçada ao farfalhar das águas salgadas e mornas, a elas entregue como fazendo parte da matemática mais exata. O todo, ao redor, compactua para este sentir. São momentos de extrema desconcentração onde sou só cabeça que pesa e pensamentos soltos.
 
Assim que estou depois da exaustão que fiquei após o contato com o outro perverso, da desconstrução pela ambição e orgulho que tem causado tanta dor e devastação. Hoje não! Hoje estou de ressaca do mundo social e, muito mais que isto, estou só comigo e aqui há mansidão.

Sendo gestada como sempre estive sinto a pulsação do criador. Ele sou eu, agora somos um. Envolvendo todo meu ser, a densidade da água me sustém e de olhos abertos para o céu do ventre universo, vejo a imensidão azul celeste a me circunscrever e me esqueço como a um ponto. Faço meu próprio verso em mim que irradia do infinito a me alcançar e integro-me ao todo como parte dele. Este é meu segredo de estar feliz neste degredo.
 
Publicado no Recanto das Letras em 10/01/2008
Código do texto: T811335

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite e nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 23h48
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03/01/2008


PALHAÇO DAS NOZES

 (MaRitaP) 

 

Natal e Ano novo banhados a champanhe e nozes. Uma lágrima escorrega, nada novo, tudo cessa. A  ignorância e miséria, ainda,  alastram-se nestes Brasis sem juiz.

Uma andorinha, acreditou pintar a vida em aquarela mas a poesia foi-se, diante das ceias opulentas que encheram o sangue do poeta de gordura mórbida deixando-o anestesiado diante da dor.

Uma lágrima rolou dos olhos do palhaço que se viu sem ferramentas de fronte ao riso de improviso das milhares de crianças excluídas do espetáculo.  Em detrimento disto, uma andorinha buscou fazer verão, mesmo sozinha, e acreditou sorrindo que sementes ficaram aqui ou ali... É a esperança que sobrou na caixa de pandora, esta que salvará a arte...

 

 

 
(...)a resignação passiva, por ensurdecimento progressivo do ser, é o falhar completo e sem remédio. Mas os revoltados (…) aqueles que se cortam no ar e nos seus próprios gestos, são a honra da condição humana. Eles são aqueles que não aceitaram a imperfeição. E por isso a sua alma é como um grande deserto sem sombra e sem frescura onde o fogo arde sem se consumir.(...)»


Sophia de Mello Breyner, Contos Exemplares
 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 12h16
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02/01/2008


SOBRE A PALAVRA

 

 

TODA PALAVRA


toda palavra
devora entranhas
e alimenta medos

toda palavra
que corta fundo
reparte o sangue
entre a terra
e o corpo

mas toda palavra
que cala,
divide dois mundos
para sempre

© Ademir Antonio Bacca
do livro “O Relógio de Alice

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 19h20
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01/01/2008


"Os sons da palavra escrita podem ser suaves

 como a poesia e duros como a realidade que nos cerca.

Creio que poesias podem ecoar e transcender,

ao mesmo tempo que podem gritar e promover"

 Sonia Prazeres

http://soniaprazeres.blogspot.com/ 

 

         

 Mel Bochner, Language is not transparent

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h21
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31/12/2007


Fenece logo, depois que se eterniza...

 

Orquidário

autor: Silas Correia Leite

 

 
 
A lição da orquídea
É pertencer-se a matriz
Que dela extirpa a cor
Como quem se mutila

A oração da orquídea
Não cabe no Ser raiz
Que dela esplende a cor
Como quem se realiza

A lição da orquídea
É ser flor - não feliz
Por isso fenece logo
Depois que se eterniza


 
Comentário:
 
Como é fulgaz a passagem de um ato ... que nos foi
tão caro, que demandou tanto empenho, Assim como
o fruto que já foi flor, depois de amadurecido,
estraçalhado aos dentes, bicos, facas ou vermes. 
A semente nem sempre se eterniza. Porém, ainda, é
por ela que se sobrevive, ou não?...
 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 15h42
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29/12/2007


a redenção do poeta

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 23h09
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26/12/2007


Fico a pensar... Tudo tornou-se mercadoria! A poesia, a arte, a fé ... e o pior de tudo, a dor.

 

Pintura em óleo Zeferino da Costa - A Caridade

 

A quem tu serves ?

 

Quando ou se eu crescer não quero ser amigo do poder, este que corrompe e faz hipócritas, hoje de braços com os pobres para amanhã fazer parte dos palanques. Quero manter meu coração colado ao sentimento de amor pelas "causas perdidas" e poder dedicar-me aos pequenos, àqueles que não me oferecem nada, só esperam.
Temo quem vai crescendo à revelia e, de repente, muda o rumo e dá as costas aos que parecem não oferecerem nenhum privilégio. Juntando-se aos grandes do mundo vai se esquecendo dos deserdados que são apenas usados como massa de manipulação. Deus!!! prefiro ficar na retaguarda de mãos dadas aos que lutam nos bastidores da vida, figura oculta das convenções humanas, antenada aos corações pulsantes que buscam, avidamente, braços que os sustentem na dor de vencer os desafios da vida.

 

...MRitaP...

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 01h09
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16/12/2007


Renascer das cinzas

Renascer das cinzas

 

 

Esta fonte de luz que me tirou das trevas
Preciso deste vagalhão para das cinzas renascer
Novamente, fecha-se um ciclo, outro abre-se
Preciso estar inteira para do amor integral florescer
 

Mais experiências, mais paciência e talvez mais inteligência
Vejo transcorrer o tempo em silêncio e granjeio mais amigos
Uns ficam comigo, por que me dão o tempo pra ver a diligência
Outros, não são capazes de entender, se ausentam e prossigo

 

Pra quem fica, estará a construir o futuro com o presente
Pra quem deixou seu coração coeso, está perto estando longe
Quem se distanciou, voltará mesmo sendo hoje estradas direrentes
Porque, indubitavelmente, todos beberão um dia da mesma fonte
 
A fonte da qual me refiro é aquela mesma que nos deu a vida
Aquela que pretende a igualdade na diferença das flores
Estes milhoes de eus provém da ilusão de estradas divididas
Submersos temporariamente contidos em relativos valores

Quando o amor vencer nesta terra mais garrida
Mostrará a verdade a quem pensa entender, sem sentir
Haverá de vencer derrubando os muros da nossa indiciplina
Transmutará nossos planos, mostrará a face do ser mentir

Quis ajudar, quis abraçar a infância na ciranda de mim mesmo
Quis beijar margaridas, apresentar crisântemos às borboletas maçãs
Em suas brincadeiras infantis vendo crescer a puberdade a esmo
Com esperança consegui trazer, simplesmente, devaneios pela manhã.
 
 


 
Maria Rita Pereira
Publicado no Recanto das Letras em 17/12/2007
Código do texto: T781348

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (cite e nome do autor e o link para a obra original). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 00h25
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15/12/2007


Este poema fiz pensando numa situação real de um menino e sua família, reais ...

 
Enquanto.

Enquanto você sonha
Carrego o fardo da fome
Ênquanto você transcende
Aprendo escrever meu nome
Duro aprender neste cansaço
Minhas mãos ásperas, doem
Você? Ah! você é fada, reluz.
Minha mãe nunca foi ao dentista
E tem mais de trinta.
Deduza.

Irmãos?
A de dezesseis sofre de depressão
A de quatorze já fez nenem
O de vinte está na prisão
E eu? Com oito, vou mal na lição.
Não tem jeito não.
Enquanto você quer ser bom
E não sai da frente do PC
Vou crescendo sem solução
Vou aprendendo a sofrer.
Eis ai sua plantação.
E não me diga que seu vestido
Não tem culpa, não.
 
Maria Rita Pereira
 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 13h03
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21/10/2007


Crepúsculo solar

 

Pintura: Diego Mato Toledo 

Crepúsculo solar

 (Maria Rita Pereira)

 

Me deixastes o vermelho horizonte
Cor púrpura, crepúsculo solar
Pensamentos poesias esvoaçantes
O vibrar tênue das ondículas do mar

Pensei nos corações das eternas canções
Que das gerações pulsam fortes em mim
Poetas, escritores passam como tufões
Arrebatam a alma das flores de meu jardim

Por instantes minha alma se fez galopante
Sai do universo que se expande, sai do prumo
Descalça, lírica pelas areias, vai alma andante
Principia em si, renasce, morre, perde o rumo

Os poetas são nascentes deste delírio
Isolam-se do mundo faz reboliço verbal
Da luz lunar, suas lágrimas são martírios
São uivos do lobo interno ou puro carnaval

Poeta! Como me traz tua vibrante alma tenaz
Como me condensa, tuas palavras, o meu id
Me desconcentra, me vivifica, me refaz
Me alimenta tua lírica, teu sorriso me divide

Assim, sou a palavra que quer ser repartida
Engasgada no inverno das próprias ruínas
Reconstruindo, paulatinamente, sempre sina
Ter asas, escombros de mim... Enxergar saídas.
 

Depois, o branco aparece expande-se no azul
O mar traz cheiro de sal, peixe,  brisa fresca
Daí, retomo os passos a procura de um sul...
Ou de um norte que me faça sentido, esclareça.

Sei, encontrarei uma saída e terei fortaleza
A tenho por momentos, sei onde ela se faz
Mesmo imperfeita, incompleta, sem muita clareza
A guerra que estou a conquistar será minha paz.
 
Publicado no Recanto das Letras em 19/10/2007
Código do texto: T701270

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Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 02h37
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04/10/2007


Rodas gigantes nos distrairam para crescermos...

Eu, tu, ele, nós.

(Maria Rita Pereira)
 
 
As dobras dos destinos estão a girar
Como ventos que são sempre os mesmos
Parques de diversões nos ensinaram a amar
Rodas gigantes nos distraíram para crescermos

Palavras de lunáticos, loucos de corações limpos
Viajaram no inconsciente, ficaram e vão sumindo
Pegadas em estradas claras/escuras, amigos
Prefácio de uma história que vai se construindo.

Imagens que uniram, palavras estão presentes.
Memórias de épocas que deixaram nuvens
Voltemos às nossas plantações, antigas sementes.
Refazendo mal entendidos que nos iludem

Crianças, jovens, pessoas, velhos. São grãos
Eterno ciclar neste verso. Bom de estar e ser
Penso em vocês, em todos, que sentidos e tons
Para que não haja escuridão ao amanhecer

Percebestes a rota dos nossos pequenos/grandes feitos?
Tantas despedidas se fez ontem/hoje presente.
Pais, tios, primos, irmãos, amigos, despedem-se.
Apoderam-se do âmago, tornam-se saudades intermitentes.

No caminho trilhado só quem pode estar é o eu
Caminhando sozinho ciente de uma eterna solidão
Eterno paradoxo que nos faz triste ao amanhecer
A incerteza de ser que depende desta imensidão.

Não se sobrevive, um minuto sequer, sem no outro absorver-se
Mas, para gerar-se necessário foi negá-lo em seu princípio
Necessário foi amar menos, entregar-se menos. Opor-se
Medo de consumir-se, cair num imaginário fundo precipício.

- Assim é o mamífero, primata, homem/mulher.
- Assim é cada um de nós, semi-escravos dos instintos.

 
 
Publicado no Recanto das Letras em 04/10/2007
Código do texto: T681027

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Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 22h51
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01/10/2007


Extinção

(Maria Rita Pereira)


Meia dúzia de arbustos
Numa estrada
Mais nada.

 

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Infância sem amor
(flores mirradas,
narcisicas delicadas)
A se decompor


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Detentores de afeto

Oásis de flores adocicadas
No casulo do descrédito
Lutando contra a extinção
Em condições adversas.

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 22h58
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20/09/2007


"Pode dizer-se que o homem é por vezes habitado por uma 'nostalgia

metafísica'. Ele age como se os ideais longínquos e inacessíveis que

coloca perante si mesmo fossem realizáveis, agindo assim como se

a finitude que o caracteriza não fosse um dado, mas  uma condição

que deve ser constantemente testada."

 

-- Emmanuel Kant.

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 17h39
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10/09/2007


Fios de seda

(Maria Rita)


Refletir
Sobre a luz das queimadas internas
Sobre pisadas, prensadas, paralelas
Porque de ar e águas
Somos todos bolas de algodão
A serem esticadas, tecidas, esterelizadas
Pomos de sumos, sonhos pueris
Pousam sobre os intervalos, bem te vis.
Não há dor a conter o mundo
Amando-o, assim.
Há esperanças e certezas

de irem de encontro ao sol.
Os destinos.
Começo, meio, fim.

Refletir
Após as cinzas e as poeiras do festim.
Recolher das estradas o que sobrou, enfim.
São sobras de postas de frutas cristalizadas
Açucares e gergelins.
Das metamorfoses, pálidas crisálidas
Fomos e somos. 
Projetos de um futuro
Onde construir é desconstruir
E a Luz, escuridão
Frutos de uma mesma raiz
Notas de uma mesma canção
Recicladas, ressurgidas, amadas.
Tornaremos fios de seda delicada
Projetos de algodão.

 

Publicado no Recanto das Letras em 09/09/2007
Código do texto: T645592
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Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 17h51
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02/09/2007


Palavras de LUIZ Abbondanza (um amigo) ao ver o cenário abaixo:

 

Deprimente, banal ou hipermoderno? A gente já conhece

tantas palavras pra descrever essa situação, né, Maria Rita?

É a publicização da vida privada que Hanna Arendt já apontava

em "A Crise na Educação" O capitalismo tornou os homens, abutres.

Agora é preciso alimentá-los e a grande mídia se presta muito bem

a esse papel. E a luta continua, companheira...

Citando o Paulo Leminski: "distraídos venceremos".

 

 

 

 

Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 19h38
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30/08/2007


 

 

 - refiz pra amenizar, pq quando fiz a 1ª versão de Sociedade Bomba

Atômica. Estava muito, muito mesmo, chocada. Foi logo depois de uma

aula de filosofia onde se discutiu a influência da mídia na subjetividade

infantil e como ela está sendo deletéria para a formação das identidades,

desconstruindo toda educação que se quer fazer para orientar e propiciar

a construção de indivíduos saudáveis e prepará-los para o enfrentamento

dos desafios inerentes da vida. A banalização do sexo, a violência e suas

vertentes vem fornecendo material desestruturante. Exemplo disso é a

própria violência presenciada nas ruas, escolas e lares.

Também se verifica dificuldades nos relacionamentos entre os jovens que,

não se entendem, não possuem paciência para dialogar suas diferenças.

A quebra da tradição e concomitante desrrespeito à hierarquia, que sendo

utilizada de forma ingênua e irreflexiva como tem acontecido só favorece a

frustação e falta de adaptabilidade. Como consequência verificam-se vários

jovens sofrendo de sindrome do pânico, depressão e etc, etc, etc...

 

Sociedade bomba atômica

(Maria Rita Pereira)


  

Dói, corrói, escapa do controle.
De súbito se esvai no labirinto das idéias
Ao pensar nas crianças
Lançadas nos esgotos da incoerência
De uma sociedade injusta e torpe

Que as deixam ao abandono
A mercê de uma escandalosa violência
Que as transformam em caricaturas  
 - Caricaturas de aldultos sem ciência.

 

A promiscuidade fora de hora
Que as empurram aos desvarios dos sentidos
Sem ao menos estarem preparadas
Para o encontro de si mesmas.
Momento em que a descoberta do corpo mutante

É um susto, por si só.
Que as lançam ao desconhecido, sem dó.
Ao mundo dos adultos e luto da infância.

 

Quando é que vamos tomar a dianteira do mundo

Vestir-se de adultos e combater
A loucura pelo individual prazer

Onde meninos e meninas viraram alvo do mercado
E a ética inexiste onde o lucro é certo.
Não podemos deixar toda uma humanidade
A mercê destes chacais midiáticos
E de braços cruzados vomitar agoniados a sós
Atônitos como Einstein diante da bomba atômica
Que hoje, pela indiferença, é cada um de nós.

 

 

Publicado no Recanto das Letras em 30/08/2007
Código do texto: T631527


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Escrito por Maria Rita Pereira da Silva às 21h53
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21/08/2007


Do Passado ao Presente

(Maria Rita Pereira)
 
Como atingir-te alma presente?
Teu cinismo, tua negação
Sou a te amar, a te servir.
Como despertar-te alma ausente?
Deste sono letárgico, mover-te?  

Serei eu a gritar este pretérito rouco?
A lançar e repetir como um louco, roto?
O som do colibri / neste céu de estrelas cadentes?
É o livro, a história, a poesia.
É o mito, a ciência, a filosofia.
Das civilizações mortas, os sobreviventes.

O que posso oferecer-te? NADA!
Porque nada queres que parta de mim.
Sou a herança simbólica do mundo
Como fazer-te sentir, a melodia que vivi?
Que me faz adentrar
No palácio das veredas do tempo
Esse vendaval de folhas secas.
Tudo parece ruir.

No império do efêmero
Não vejo, não pressinto
A constância poética do nascer dos dias.
Dá-se um nó na garganta