
- refiz pra amenizar, pq quando fiz a 1ª versão de Sociedade Bomba
Atômica. Estava muito, muito mesmo, chocada. Foi logo depois de uma
aula de filosofia onde se discutiu a influência da mídia na subjetividade
infantil e como ela está sendo deletéria para a formação das identidades,
desconstruindo toda educação que se quer fazer para orientar e propiciar
a construção de indivíduos saudáveis e prepará-los para o enfrentamento
dos desafios inerentes da vida. A banalização do sexo, a violência e suas
vertentes vem fornecendo material desestruturante. Exemplo disso é a
própria violência presenciada nas ruas, escolas e lares.
Também se verifica dificuldades nos relacionamentos entre os jovens que,
não se entendem, não possuem paciência para dialogar suas diferenças.
A quebra da tradição e concomitante desrrespeito à hierarquia, que sendo
utilizada de forma ingênua e irreflexiva como tem acontecido só favorece a
frustação e falta de adaptabilidade. Como consequência verificam-se vários
jovens sofrendo de sindrome do pânico, depressão e etc, etc, etc...
Sociedade bomba atômica
(Maria Rita Pereira)
Dói, corrói, escapa do controle.
De súbito se esvai no labirinto das idéias
Ao pensar nas crianças
Lançadas nos esgotos da incoerência
De uma sociedade injusta e torpe
Que as deixam ao abandono
A mercê de uma escandalosa violência
Que as transformam em caricaturas
- Caricaturas de aldultos sem ciência.
A promiscuidade fora de hora
Que as empurram aos desvarios dos sentidos
Sem ao menos estarem preparadas
Para o encontro de si mesmas.
Momento em que a descoberta do corpo mutante
É um susto, por si só.
Que as lançam ao desconhecido, sem dó.
Ao mundo dos adultos e luto da infância.
Quando é que vamos tomar a dianteira do mundo
Vestir-se de adultos e combater
A loucura pelo individual prazer
Onde meninos e meninas viraram alvo do mercado
E a ética inexiste onde o lucro é certo.
Não podemos deixar toda uma humanidade
A mercê destes chacais midiáticos
E de braços cruzados vomitar agoniados a sós
Atônitos como Einstein diante da bomba atômica
Que hoje, pela indiferença, é cada um de nós.
Publicado no Recanto das Letras em 30/08/2007
Código do texto: T631527
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